sexta-feira, 30 de novembro de 2007

A validade da ignorância como forma de felicidade


Meus amigos conhecem bem essa passagem bíblica, porque eu nunca me canso de repetí-la. Vem do livro do Eclesiastes, versículo 18: “...porquê onde há muita sabedoria, há também muita tristeza, e onde há muito conhecimento, há também mais sofrimento.”

O que está explícito no texto é que saber é sofrer.E é célebre o pensamento que diz “o conhecimento liberta” (Schopenhauer ??? Não me lembro a fonte...). Sim, liberta da ignorância. Encarcera na realidade. É óbvio que o fato de ignorar-mos um séquito de problemas não vai fazer com que eles desaparecem, e nem é esse o meu intuito. Se você começou a ler essa lauda procurando um ode à alienação, desista. Pode ir bater em outra freguesia.

A ignorância que aqui advogo é uma fuga ou escapismo menor. Ele está mais próximo do atitude de permitir-se viver além dos problemas pequenos (e mesmo dos grandes). O meu “ignorar” somente ignora problemas cotidianos, preocupações imediatistas, ou não, problemas globais e mais amplos mas por breves instantes.

Eu venho aqui fazer um discurso proselitista de que todos nós devemos nos envolver com as discussões mundiais, com nossos problemas comunitários sócio-político-ambientais. Vestir a camisa e ir à luta por um mundo novo e melhor. Um mundo melhor possível. Mas ao final de um dia de luta, ignoraremos que o mundo está uma sujeira, que a humanidade está uma merda e vamos ao bar beber. Ignoremos as picuínhas pessoais e sejemos felizes apesar delas.

Isso é, na verdade, um mea culpa por me achar muito bitolado com essas coisas o tempo todo. Não conseguir relaxar e discutir frugalidades mesmo nos momentos de descontração, havendo sempre a necessidade de que um assunto de fato sério seja discutido, de que a pauta da semana esteja em questão.

Mas falar sobre bobagens é necessário. É necessário esquecer de tudo (com responsabilidade) por breves momentos de libertação diários. É preciso ser idiota e ignorante ao menos uma vez por dia. O fardo de ser íntegro o tempo todo é demasiado pesado de carregar, aguardente mui amarga de sorver. A integridade de Sócrates o levou à cicuta, a minha ignorância só me levará ao bar ou à um bom livro.

Doses pequenas de alienação diária, escapismos breves e ignorância temporária. Amigos, somos homens, não somos máquinas....


obs) Muita calma ao beber dessa fonte pois, além de viciantes, a alienação e o escapismo, são alucinógenos...

3 comentários:

Anônimo disse...

quando estiveres triste por saber demasiado
saiba q nessas mesmas horas é q chegamos a perceber q o pensar é pequeno e o valor do q temos está em quem somos...

Dalila Cunha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Dalila Cunha disse...

"O conhecimento torna a alma jovem e diminui a amargura da velhice. Colhe, pois, a sabedoria. Armazena suavidade para o amanhã."