
O Tempo Não É
Vida, Existência e Eternidade.
Na história, o tempo sempre foi encarado como um personagem, ora protagonista, ora antagonista da humanidade. Atribuíram-lhe poderes e saberes, existência eterna, onisciência e onipresença.
Mas mesmo uma breve reflexão nos leva a conclusão que o tempo não é uma coisa, ou uma entidade própria. O tempo não é por si próprio, é uma qualidade das coisas. O tempo como entidade separada, como sujeito próprio e independente não existe.
Todas as coisas então possuem essa qualidade, essa dimensão chamada tempo, responsável pelo nosso envelhecimento e enriquecimento. Para quantificá-lo e estudarmos essa propriedade é que a projetamos para fora, dando-lhe medida universal comum. É o tempo das horas, minutos, segundos. É o tempo dos séculos, milênios e eras.
Essa agressão à individualidade do tempo, já que cada um possui o seu e com a sua própria medida, faz-nos esquecer da vida que merece ser vivida a tempo. A maioria de nós apenas existe no curto espaço de tempo que tem para viver. Rubem Alves não se cansa de repetir: o tempo foge, o tempo foge...
E por muitas vezes ouvimos que o tempo é igual para todos, e para todos, o sol nasce, cresce e morre no final da tarde. Vêm as estações do ano, o plantio e a colheita.
A vida que pretende quem quer viver é incompatível com a métrica do tempo criada por quem apenas existe. Nunca, mas nunca existirão segundos suficientes nos minutos, minutos suficientes nas horas e horas suficientes em um único dia. O tempo é pouco mesmo quando se tem a tarde inteira.
E suspeita-se do querer eliminar do homem a dimensão do tempo. Este sem esta torna-se atemporal, eterno. Não envelhece, mas também não evolui. A eternidade é a resposta? Não. E o que é a morte? O fim da passagem do tempo no homem?
O tempo nos leva a pensar sobre tudo. Pois apesar de não ser em si, o tempo está
Recuso-me então a entender que quem vive e quem existe sofram a passagem do tempo da mesma maneira. Organizar o tempo, medindo-o e programando-o não vai ajudar a trazer à tona a vida que não se leva. Apenas vai racionalizar a existência que passa. Os animais também não medem o tempo e apenas existem. Esse exercício de martírio, essa contagem sempre regressiva não fará bem a quem ama viver. Sentir o gosto da eterna passagem do tempo, ampliada pelo universo de possibilidades da vida, encaixada na existência limitada nesse planeta azul.
E me pergunto: o tempo não é, também nós não somos?

2 comentários:
A palavra consideração, ou melhor respeito, te diz alguma coisa?
Bem, seria o tempo àquele que acrescenta o real valor a tudo, ou seria apenas analgésico para a dor humana, pelo menos as de fundo sentimental? Responda-me você meu anjuu, pois estou proxima da certeza de que a maior angustia humana é sempre procurar respostas/ justificativas demais para questões das quais estamos longe de possuir qualquer conhecimento a priori. E seria realmente de fundamental importancia possuir certezas?
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