Eu sou uma pessoa que tem duas religiões. Sou católico apostólico romano e sou fiel da ciência também. E procuro ser um pesquisador de duas ciências também. A ciência de Santo Agostinho, a ciência de Newton. Das últimas vezes que expus esse meu paradigma, fui criticado com vemência. Então vamos lá, eu explico.
A ciência e a religião partem do mesmo propósito, que é compreender e explicar o universo, mas diferem nos métodos. O método da ciência é objetivo, impessoal. O método da religião é subjetivo, pessoal. Não há empirismo na religião, a fé de cada um não pode ser vivida por outrem. A fé é uma experiência pessoal de um Deus íntimo. A comunicação dessa experiência pessoal dá origem à religião, que é a fé comunitária, compartilhada por uma comunidade de pessoas.
Os ensaios científicos são sempre reproduzíveis, mantendo-se as mesmas variáveis ambientais onde um determinado fenômeno foi observado, aferido e mensurado. A quantidade de ensaios, que caracterizam uma distribuição de frequências observadas, que é então aproximada à uma distribuição de probabilidades, com as quais se faz projeções. O uso de métodos científicos, forjados por Bacon, Descartes, Newton, aliados por ferramentas matemáticas e estatísticas, confererem à experiência científica um caráter universal, podem ser universalmente repetidas produzindo os mesmos resultados.
É gritante a diferença das metodologias, mas o âmbito das explicações também é diferente. Quem acha que a fé e a ciência rivalizam ao tentar explicar o mundo está equivocado, ao meu ver. Há muito essas duas maneiras de explicar o mundo não mais colidem. Há muito sabe-se que o mito da criação foi uma solução criada pelos judeus da Diáspora, como um método para unificar a religião judaica. Hoje, religiosos sérios não pregam esse mito como uma explicação de como o mundo surgiu, ele é pregado como uma metáfora, não como uma explicação científica. O big bang é como o mundo foi criado, mas ele admite uma visão religiosa sim. Já li, e ficarei devendo à vocês o texto e a fonte, uma excelente visão do big bang, tendo em vista a religião.
A religião e a ciência são complementares porque eles buscam explicar o mundo sob ângulos diferentes. O limite da ciência, quer seja no ínfimo do átomo, do macro do além-infinito, no que havia antes e depois da história, é terreno da religião. Ela busca explicar o que a ciência não tem como provar. E eu não falo apenas de milagres.
A religião, de outro lado, não pode combater o avanço da ciência e da tecnologia, melhor lhe cabe abraçar essas mudanças. Não posso dizer que as coisas acontecem porquê Deus quis ou não. O nosso cotidiano está impregnado com as leis físicas, químicas, sociais e biológicas. É importante que as pessoas que tem religião não se esqueçam do seu livre-arbítrio, e parem de culpar a Deus por tudo o que acontece. A culpa é das pessoas se a sociedade distribui mal as riquezas, ou se o sexo está em tudo, não é culpa do diabo. São as pessoas e suas decisões que tornam o mundo o que ele é.
A ciência é uma religião também. Exige que as pessoas tenham fé nos seus prodígios. Tenha fé nos axiomas não explicados, tenha fé nas teorias sem comprovação. Acredite no que o médico, tão humano quanto eu ou você, prega que é melhor para toda a humanidade. Tenha fé, ele sabe o que diz. Sim sim, a ciência também tem muitas teorias fortes e que ainda carecem de explicação, a física está cheia delas. A matemática também tem um séquito de problemas não resolvidos, que expõem os limites da própria matemática.
Eu tenho fé. Nas pessoas, na ciência e na religião da qual eu comungo. Eu tenho senso crítico para refletir sobre tudo isso também. Não me sinto divido entre duas religiões ou duas ciências. Não é a fé, mas a razão que me diz que tudo é uma coisa só.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Tratado de Filosofia Itacareense
Imagine uma filosofia que unifica todos os sentidos da vida em um único postulado. Circunde, então, esse postulado com um séquito de imagens paradisíacas. Eis Itacaré, a cidade da calma. Tudo neste lugar é calmo. O sol, que doura até a pele mais negra, é calmo. As ondas, disputadas pelos muitos surfistas, são calmas. O nervosismo das pessoas é tipicamente baiano, calmo.
Poderia então discorrer aqui sobre os ilustres nativos/locais que conhecemos, que incorporam a filosofia itacareense. Mas não. Me dá preguiça. Fui contaminado pelo espírito calmo e preguiçoso dessa parte do Brasil. Afinal quem está no paraíso não carece de pressa. Pressa pra quê? Relaxa. Quer uma água de côco?
Por fim, o mais famoso postulado dessa corrente de pensamento me foi repassado à beira mar, na praia, sob um céu azul límpido e um sol na beira dos 50º. Ele dizia simplesmente:
"Nada como não fazer nada depois de descansar um pouco"
Agradeço aos expedicionários: André (Meu irmão e idealizador da viagem), Maria (Grande elo de união da turma), a Loura (Certamente a pessoa mais hilária que eu conheci por lá), Fabiana ( Ósculos ), Lú e Marcos ( Casal mais gente fina de Brasília/DF ), Válkíria e tantos outros que pela preguiça itacareense, não vou citar aqui.










Vidinha difícil... me deu uma canseira....
Vidinha difícil... me deu uma canseira....
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