terça-feira, 1 de outubro de 2013

O Segredo Do Meu Sucesso

De vez em quando agente se depara com situações que nos ajudam a avaliar se os rumos que tomamos estão corretos. Isso me aconteceu recentemente com duas coisas que li: um texto e um comentário de um post. Mas estudemos o contexto para entender melhor. 

 Eu nasci em Janaúba e bem cedo meus pais se mudaram para Montes Claros. O que eu achei excelente pois indo para uma cidade maior teria mais acesso a mais coisas, etc... Estudei, formei e depois fui para Belo Horizonte fazer mestrado. Aí eu pensei: agora estou evoluindo, crescendo. BH vai ser minha plataforma para cidades mais civilizadas e cosmopolitas, como SP ou RJ. Ou quem sabe a europa brasileira: SC ou RS. 

Queria me formar um empresário de sucesso com um carro importado e um apartamento em alguma zona nobre. Nessa época eu pensava tudo em termos financeiros. "X" PODE "Y" por que ele TEM "Z". Ter e Poder. Dinheiro. Minha hora custa X, quando eu fizer isso custará X + 50. Massa. 

Mas eu voltei para Montes Claros por causa da minha noiva. Montes Claros me fazia muito mais feliz que BH. Mas ainda assim eu achava que havia feito um retrocesso. Saí da capital para o interior, da civilização para a barbárie, do centro para a periferia. Isso me incomodou por muito tempo. 

 Em Montes Claros eu trabalhava 14, 15 horas por dia. Virei noites trabalhando, trabalhei feriados, dias santos, etc. Arrependimento??? De jeito nenhum! Todos esses perrengues me tornaram o profissional que eu sou. Melhor que isso, eles me proporcionaram uma mudança de paradigma que construiu minha forma atual de pensar. 

 Eu queria ter coisas e poder financeiro para impressionar os outros e atestar que eu era um sucesso. Isso na verdade é um pendência psicológica decorrente de rejeições que enfrentei na adolescencia por ser nerd. Nada mais.

 Quando eu passei no concurso e mudei de Montes Claros para Januária eu tive a impressão de estar passando por um novo retrocesso. Já estive lá no alto e agora estou caindo. Mas perceba a fragilidade desse pensamento: se você não É feliz para si com as COISAS que tem, de que adianta PARECER um sucesso para os outros? É é isso. Eu era um idiota mesmo. 

 Eu casei e passei aqui o meu primeiro mês de casado. Aqui em Januária eu tive surpresas mui gratas! Januária me faz muito mais feliz que Montes Claros. E olha aqui não tem a japa que eu adoro, os meus expressos víciantes ou boas livrarias. Nem cinema, nem shopping. E como tal lugar me permitiria ser mais feliz? 

 Esses aspectos não mensuráveis quantitativamente (principalmente financeiramente) e que definem o Ser em detrimento do Ter. Um Poder diferente daquele gerado pela autoridade ou importância econômica. E o que é sucesso? O sucesso de BH me agregou dinheiro. E bons grandes amigos, é verdade. Moc também de deu dinheiro e bons amigos. Mas não tem um canto só meu (que nem é meu de verdade) e da minha preta, a natureza farta, cachoeiras, montanhas, cavernas, rios. Natureza brother! Natureza! Paz, sossego, qualidade de vida. 

Esse é o sucesso que eu queria desde o começo e não tinha me dado conta. Eu devo ser diferente. Eu não dou valor a ganhar muito dinheiro. Isso só vai me trazer mais coisas. E eu ando dispensando mais coisas. Eu quero ler mais, ser mais para minha esposa, para quem precisa de um bom conselho que eu saiba dar, ser útil para a sociedade através do serviço público. Aqui tenho minhas metas de produtividade no meu emprego que farão a diferença para muitas pessoas, em especial as que estão em uma situação de fragilidade social. Já tem feito, inclusive. Isso é sucesso. Não dinheiro. 

 Então amigos, não me fale de sucesso se você vive na farra mas não tem um amigo de verdade. Mora numa cidade grande, mas escuta música ruim e nunca vai à um museu. Mora numa cidade "chique" mas não consegue fazer nada. Tem muito dinheiro mas faz sempre as mesmas coisas. Só ganha dinheiro para si mas não faz diferença nenhuma na sociedade. Isso é ser um fracasso! Nossa sociedade está farta de pessoas que acumulam para si e se lixam com os outros.  

Então não seja pobre nem escroto de achar que ter dinheiro é sucesso. Seja alguém de valor, o resto vem depois...

sábado, 11 de dezembro de 2010

Difuso, Confuso e Esquivo

Vai me dizer que te armaram uma cilada,
E que você não sabe o que se passa?
É melhor você pensar antes de falar
Ou talvez seja melhor não dizer nada!


O que te tira da cena do crime
E o que te põe do outro lado da cidade?
Se não são seus passos na escada,
Onde você estava às 3 horas da tarde?
Se não era você lá no quarto,
Me diga onde você estava?

Quem estava contigo aquela noite?
E que bar você frequentava?
Porque seu carro não foi visto lá fora,
Enquanto lá você estava?
E por que ninguém se lembra do seu rosto,
Em que mesa você se sentava?

As solas dos sapatos conferem,
E o seu nome na agenda da vítima?
Suas digitais estão na banheira
E o batom na gola da camisa?
Vocês tiveram um caso há um tempo,
Me diga como você me explica?

A vizinha lembra de você,
O porteiro disse que te viu entrar
As câmeras mostram seu rosto
Você nem pode negar
Vai correr para onde agora?
Ou vai dizer que era um sósia?

E melhor você não mentir,
a coisa não tá para brincadeira,
vai ligando pro seu advogado,
E abre logo essa sua boca!

domingo, 12 de setembro de 2010

Caleidoscópio

Há muitos eus meus andando por aí. Eu, sempre que me encontro neles bato um papo bom, de velhos amigos, nostalgicos de alguma velharia. Abraços, até logos, tchaus e eles se vão. E cada face minha andando por aí me lembra um tempo bom. O meu eu hoje é bem diferente desses outros eus, como se para crescer eu me dividisse, e não simplesmente "inchasse". Sempre quando me vir por aí, numa memória, num retrato ou mesmo perdido na esquina, se lembre de como eu sou aquele mas também outros tantos.

E saiba que não é possível amar só a este ou aquele pois eu sou todos eles. E nem é possível odiar a todos pois são tantos tão diferentes, capazes de agradar a árabes e judeus. Não tenho múltiplas personalidades, antes que você se apresse no julgamento. Ousaria dizer que se você, estimado leitor, não for muito míope em sua auto-crítica, notará muitos de você que são conflitantes, antagônicos até.

Por isso eu peço desculpas se um eu meu te pareceu desligado, nervoso, impaciente, chato, egoísta ou com qualquer um dos meus incontáveis defeitos. Este não sou eu somente. Há muitos eus melhores que você encontrará por aí.

Mas não se engane, há piores também.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sozinho,
como os móveis na sala
estou um objeto sobre a cama
No quarto.
Porque olho para o lado
e não tem você
Sinto ciúmes
de onde você esteja agora
Mas o melhor do ciúmes é não tê-lo.
Me falta casa na minha própria casa
me falta sono no meu próprio sonho.
Ou coragem de dormir?

sexta-feira, 20 de março de 2009

Para que você saiba quem sou eu

Aos poucos
vou me libertando dos meus sentidos
vou alçando vôos mais longos
e me perdendo

Domingo
é bom me deixar levar pelas esquinas
eu me permito cair em bueiros
e me esqueço


vigio seus mamilos
eu passo dedos nos seus lábios
e me aqueço

eu me encontro nos meus apegos
manias, desesperos meus eus
eus, eu e eu.

Tudo é meu umbigo.

sábado, 7 de março de 2009

O nome das rosas

Minha mãe, Édina, essa mulher maravilha, a mais linda que conheço, polivalente e que se doa o tempo todo pelo bem da sua família. A senhora é um anjo, mas precisa pensar um pouco mais em você. Te amo muito!!!

Minha vó, Dona Nina, que desafia o tempo e continua esbanjando carisma com todos que passam por lá... Cada olhar dessa mulher eh uma benção!!!

Minha irmã Ivana, essa guria louca e gente finíssima que eu adoro tanto! Bora tomar uma???

Minha tia Geraldinha, minha segunda mãe, que me acolheu aqui em BH como um filho e me considera como tal...

Lholi, Papaty e Tia Lói, esse trio inseparável que me ensinou (e me ensina) tanto e sempre recorro a elas quando preciso de uma iluminação.

Para não ser injusto com ninguém: Rena's, Jailza, Nam, Letícia, Cris (feliz aniversário, inclusive...), Franciane, Garutinha (Jaqueline), Gloriany, Baiana, Kátia Mayane, Cecília, vixe... esqueci de alguém?

Nikaelle, que chegou agorinha mesmo no tempo da minha vida, mas já chegou tomando conta e me fascinando tanto, te amoooo!!!

O dia das mulheres nos serve para lembrar o quanto vocês são imprescindíveis o tempo todo!

Sem vocês, mulheres maravilhosas, eu não sei o que faria de mim!!!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Milagres

Foi debaixo do sol das três da tarde. O som do carro tocava "You Shook-Me All Nigth Long" do AC/DC à 130Km por hora. O calor ensaboava o pista e os pneus perdem muito a aderência nessas situações. O asfalto tinha grandes ondulações, efeito da sobrecarga dos caminhões que diariamente transitam pela BR. Uma das rodas do Celta escorregou nessas ondulações e eu perdi o controle da direção. Desgovernado, invadi a contramão e logo mais à frente vinha uma Santana cinza-metálico. Instantâneamente pisei no freio, o motorista da Santana fez o mesmo. As minhas rodas travaram e o carro patinou na pista. Não havia tempo, mais um segundo e bateríamos de frente. virei toda a direção para a esquerda, cruzei a minha pista, ultrapassei o acostamento e o carro se projetou no meio do mato.

Falo das proximidades de Curvelo, onde ainda é sertão: terra vermelha, cascalho, árvores retorcidas e o mato que lembra uma braquiara selvagem. E como haviam árvores. Meu carro entrou mato adentro levantando uma nuvem de poeira vermelha e eu desviava de uma árvore grande à esquerda, logo surgiam mais duas à direita e nem sei como me livrei delas também. A qualquer momento, eu pensava, virá um barranco e tudo estará acabado. O barranco não veio, só mais árvores. E se eu batesse em qualquer uma delas também era o fim. O carro patinou no cascalho até que eu pudesse frená-lo, 50 metros mato adentro.

A nuvem de poeira encobriu o Celta branco, fazendo o horizonte sumir.E ela apareceu no meio do nada, com seu vestido preto, sua pele branca e os cabelos da franja entre os olhos.

- Essa foi por pouco.
- É, mas não foi dessa vez. (Um suspiro e uma pausa, as mãos ainda agarradas no volante...)
- Mas haverão outras...
- Se depender de mim, não.

Ela sorriu no canto da boca, como quem diz "Até qualquer dia desses...", deu de ombros e sumiu na nuvem de poeira. Encostei a nuca no escosto do banco. Eu tremia.

Saí do carro e vi que muitos carros e caminhões haviam parado para prestar socorro. O motorista do Santana de longe perguntava se estava tudo bem. Estou ótimo, sem um arranhão, o carro também parece estar OK. Ele me olhou incrédulo, eu também não acreditava que aquilo era possível. Tínhamos presenciado um milagre. Todos naquela estrada não acreditavam no que acabara de acontecer.

Mas não foi dessa vez que a estrada ganhou uma cruz com meu nome.