É preciso, de vez em quando
Se olhar no espelho
Sentir a fundo as rugas
experimentar a dor das feridas
pesquisar as vísceras da alma
É preciso sentir-se agonizante
padecendo, deixando de ser
esse ser que já quase era
com o seu belo, com o seu podre
seu aroma, seu fedor
É preciso saber morrer
enterrar-se em sua própria cova
experimentar a dimensão humana da morte.
De quando nos matam e de quando matamos,
com silêncios e com palavras
com omissões, com atos,
que nos ferem letalmente,
com os quais não suportamos viver
É preciso também saber apodrecer,
desmaterizalizar-se, tornar-se pó.
Deixar que o tempo e a terra
julguem nossas feridas
Sem querer esquecer nada,
mas superar.
Sem buscar aliviar dor alguma,
mas curar.
É preciso saber fecundar.
dar-nos esperançaa e oportunidade,
pedir e ouvir perdão.
Cuidar de si, gestar-se dia à dia,
Preparar tudo ao redor para sua volta.
Ouvir os conselhos do vento batento em nossa face
É preciso saber nascer,
no sentido lato de parir.
Sentir as dores do parto,
e as dores do ar enchendo os pulmões,
de dar a cara a tapa outra vez.
Sentir a dimensão divida da ressurreição
de recomeçar, como já recomeçamos outras vezes
e de como já começamos um dia.
É preciso saber crescer também.
Lembrar-se de como é preciso morrer,
para renascer sempre.
terça-feira, 18 de março de 2008
quinta-feira, 13 de março de 2008
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