Aos poucos
vou me libertando dos meus sentidos
vou alçando vôos mais longos
e me perdendo
Domingo
é bom me deixar levar pelas esquinas
eu me permito cair em bueiros
e me esqueço
Nú
vigio seus mamilos
eu passo dedos nos seus lábios
e me aqueço
eu me encontro nos meus apegos
manias, desesperos meus eus
eus, eu e eu.
Tudo é meu umbigo.
sexta-feira, 20 de março de 2009
sábado, 7 de março de 2009
O nome das rosas
Minha mãe, Édina, essa mulher maravilha, a mais linda que conheço, polivalente e que se doa o tempo todo pelo bem da sua família. A senhora é um anjo, mas precisa pensar um pouco mais em você. Te amo muito!!!
Minha vó, Dona Nina, que desafia o tempo e continua esbanjando carisma com todos que passam por lá... Cada olhar dessa mulher eh uma benção!!!
Minha irmã Ivana, essa guria louca e gente finíssima que eu adoro tanto! Bora tomar uma???
Minha tia Geraldinha, minha segunda mãe, que me acolheu aqui em BH como um filho e me considera como tal...
Lholi, Papaty e Tia Lói, esse trio inseparável que me ensinou (e me ensina) tanto e sempre recorro a elas quando preciso de uma iluminação.
Para não ser injusto com ninguém: Rena's, Jailza, Nam, Letícia, Cris (feliz aniversário, inclusive...), Franciane, Garutinha (Jaqueline), Gloriany, Baiana, Kátia Mayane, Cecília, vixe... esqueci de alguém?
Nikaelle, que chegou agorinha mesmo no tempo da minha vida, mas já chegou tomando conta e me fascinando tanto, te amoooo!!!
O dia das mulheres nos serve para lembrar o quanto vocês são imprescindíveis o tempo todo!
Sem vocês, mulheres maravilhosas, eu não sei o que faria de mim!!!
Minha vó, Dona Nina, que desafia o tempo e continua esbanjando carisma com todos que passam por lá... Cada olhar dessa mulher eh uma benção!!!
Minha irmã Ivana, essa guria louca e gente finíssima que eu adoro tanto! Bora tomar uma???
Minha tia Geraldinha, minha segunda mãe, que me acolheu aqui em BH como um filho e me considera como tal...
Lholi, Papaty e Tia Lói, esse trio inseparável que me ensinou (e me ensina) tanto e sempre recorro a elas quando preciso de uma iluminação.
Para não ser injusto com ninguém: Rena's, Jailza, Nam, Letícia, Cris (feliz aniversário, inclusive...), Franciane, Garutinha (Jaqueline), Gloriany, Baiana, Kátia Mayane, Cecília, vixe... esqueci de alguém?
Nikaelle, que chegou agorinha mesmo no tempo da minha vida, mas já chegou tomando conta e me fascinando tanto, te amoooo!!!
O dia das mulheres nos serve para lembrar o quanto vocês são imprescindíveis o tempo todo!
Sem vocês, mulheres maravilhosas, eu não sei o que faria de mim!!!
sexta-feira, 6 de março de 2009
Milagres
Foi debaixo do sol das três da tarde. O som do carro tocava "You Shook-Me All Nigth Long" do AC/DC à 130Km por hora. O calor ensaboava o pista e os pneus perdem muito a aderência nessas situações. O asfalto tinha grandes ondulações, efeito da sobrecarga dos caminhões que diariamente transitam pela BR. Uma das rodas do Celta escorregou nessas ondulações e eu perdi o controle da direção. Desgovernado, invadi a contramão e logo mais à frente vinha uma Santana cinza-metálico. Instantâneamente pisei no freio, o motorista da Santana fez o mesmo. As minhas rodas travaram e o carro patinou na pista. Não havia tempo, mais um segundo e bateríamos de frente. virei toda a direção para a esquerda, cruzei a minha pista, ultrapassei o acostamento e o carro se projetou no meio do mato.
Falo das proximidades de Curvelo, onde ainda é sertão: terra vermelha, cascalho, árvores retorcidas e o mato que lembra uma braquiara selvagem. E como haviam árvores. Meu carro entrou mato adentro levantando uma nuvem de poeira vermelha e eu desviava de uma árvore grande à esquerda, logo surgiam mais duas à direita e nem sei como me livrei delas também. A qualquer momento, eu pensava, virá um barranco e tudo estará acabado. O barranco não veio, só mais árvores. E se eu batesse em qualquer uma delas também era o fim. O carro patinou no cascalho até que eu pudesse frená-lo, 50 metros mato adentro.
A nuvem de poeira encobriu o Celta branco, fazendo o horizonte sumir.E ela apareceu no meio do nada, com seu vestido preto, sua pele branca e os cabelos da franja entre os olhos.
- Essa foi por pouco.
- É, mas não foi dessa vez. (Um suspiro e uma pausa, as mãos ainda agarradas no volante...)
- Mas haverão outras...
- Se depender de mim, não.
Ela sorriu no canto da boca, como quem diz "Até qualquer dia desses...", deu de ombros e sumiu na nuvem de poeira. Encostei a nuca no escosto do banco. Eu tremia.
Saí do carro e vi que muitos carros e caminhões haviam parado para prestar socorro. O motorista do Santana de longe perguntava se estava tudo bem. Estou ótimo, sem um arranhão, o carro também parece estar OK. Ele me olhou incrédulo, eu também não acreditava que aquilo era possível. Tínhamos presenciado um milagre. Todos naquela estrada não acreditavam no que acabara de acontecer.
Mas não foi dessa vez que a estrada ganhou uma cruz com meu nome.
Falo das proximidades de Curvelo, onde ainda é sertão: terra vermelha, cascalho, árvores retorcidas e o mato que lembra uma braquiara selvagem. E como haviam árvores. Meu carro entrou mato adentro levantando uma nuvem de poeira vermelha e eu desviava de uma árvore grande à esquerda, logo surgiam mais duas à direita e nem sei como me livrei delas também. A qualquer momento, eu pensava, virá um barranco e tudo estará acabado. O barranco não veio, só mais árvores. E se eu batesse em qualquer uma delas também era o fim. O carro patinou no cascalho até que eu pudesse frená-lo, 50 metros mato adentro.
A nuvem de poeira encobriu o Celta branco, fazendo o horizonte sumir.E ela apareceu no meio do nada, com seu vestido preto, sua pele branca e os cabelos da franja entre os olhos.
- Essa foi por pouco.
- É, mas não foi dessa vez. (Um suspiro e uma pausa, as mãos ainda agarradas no volante...)
- Mas haverão outras...
- Se depender de mim, não.
Ela sorriu no canto da boca, como quem diz "Até qualquer dia desses...", deu de ombros e sumiu na nuvem de poeira. Encostei a nuca no escosto do banco. Eu tremia.
Saí do carro e vi que muitos carros e caminhões haviam parado para prestar socorro. O motorista do Santana de longe perguntava se estava tudo bem. Estou ótimo, sem um arranhão, o carro também parece estar OK. Ele me olhou incrédulo, eu também não acreditava que aquilo era possível. Tínhamos presenciado um milagre. Todos naquela estrada não acreditavam no que acabara de acontecer.
Mas não foi dessa vez que a estrada ganhou uma cruz com meu nome.
domingo, 1 de março de 2009
As ovelhas da crise e a Dinâmica do Processo Histórico
Cada vez mais mecanicista, cada vez mais cético e cientificista. É como segue o mundo contemporâneo. Com informação nas mãos as pessoas se tornam protagonistas de uma era diferente, em que o conhecimento torna-se algo acessível e morrem os mitos e as sombras da ignorância. Padecem as religiões, antigamente um porto seguro mas agora vistas como o refúgio de tolos e abrigo dos não esclarecidos.Mas no meio da euforia, tipicamente capitalista, surge uma crise que os economistas não conseguem precisar o tamanho e profundidade. Dela só se conhece a existência. Agregada à ela espera-se uma recessão de feições ainda não mensuráveis. Começamos a sentir os efeitos: desemprego aqui, desemprego ali. O poder de compra vai diminuir e com ele a confiança dos consumidores.
Seria desastroso atrelar a confiança do ser humano única e tão somente ao seu poder de compra. Mas em tempos difícieis, quando as pessoas perdem seus empregos, sustento de suas famílias, é que a sua auto-confiança se esvai. Com ela o esclarecimento, a lógica e por vezes, o bom senso.
A crise quando arrocha e obriga empresários a demitir em massa, cria um extenso rebanho de ovelhas num pasto sem horizontes. Desgovernadas, tudo o anseiam é de um pastor para lhes dar guia, comida e água.
É interessante notar como na crise as pessoas lançam mão de suas convicções mais céticas e voltam a procurar as religiões. Especialmente as mais messiânicas, que prometem mundos e fundos inverossímeis à qualquer pessoa esclarecida, mas factíveis à uma pessoa entregue ao desespero. Muitas igrejas pseudo-evangélicas tem esse apelo e movimentos católicos neo-pentecostais também.
Esse evento já é velho conhecido dos estudiosos da religião e é relatada diversas vezes na bíblia. Na minha, uma Bíblia Edição Pastoral, esse processo é chamada de Dinâmica do Processo Histórico, no comentário introdutório do livro de Juízes. Em um determinado momento histórico, as pessoas estão felizes e estabilizadas e se afastam de Deus, achando-se auto-suficientes (pecado). Em algum momento, essa estabilidade vai embora, muito provavelmente por causa de uma crise (castigo). Entregues à desesperança e ao medo, as pessoas se lembram novamente das religiões onde foram criadas e onde eram felizes e resolvem voltar a elas (redenção). Lá encontram refúgio, põem a cabeça no lugar e começam a se reerguer novamente (Graça).
Esse movimento cíclico pecado-castigo-rendenção-graça acontece com todos em medidas distintas. Para mim é um ciclo anual: Há uma época do ano que eu sou um religioso mais atuante... Depois me desligo sem motivo aparente (na verdade, quando as festas começam...). Bate a ressaca moral, um certo desconforto e volto. Por fim eu volto e tento colocar tudo em ordem de novo...
Com a atual crise, vejo esse ciclo histórico claramente. Vejo pessoas que estavam muito bem mas agora perderam seus empregos e magicamente se tornaram pessoas religiosas. Não estou criticando-as, longe de mim e fico feliz que tenham voltado, a Igreja sempre estará de portas abertas, sempre, sempre!!! Sejam todos bem vindos.
Eu me indago é como nós, todos nós, sem excessão, somo apenas ovelhas de memória tão curta.
E especialmente: de gratidão tão ínfima.
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